Com amor, todo sonho é possível

Mazelas do campo

Boa tarde, tudo bem?
Fizemos a reunião e tirei foto do casaquinho já pronto.

Para fazer este casaquinho pedi  à Idinha que nos deu a receita e nos orientou na confecção. De todos os casaquinhos que fiz, achei este mais prático e rápido para fazer e, o resultado muito bom. Não é pequeno demais, para a criança perder na 1ª semana e nem muito grande que um recem-nascido não possa usar. A emenda das mangas ao corpo é delicada e não prende os movimentos. A Idinha é muito competente e segura para as aulas, isso é muito bom.

Viramos a golinha e colocamos os botõezinhos, por sugestão da Irene e ficou lindinho, não acham?
Dia 26 foi dia de reunião e entrega dos enxovais no Posto de Saúde. A Val uma das alunas que estava fazendo uma peça de linha em trico, fez o arremate e as mangas não ficaram iguais, me deu branco total, chamei a Idinha e na hora deu a sugestão que ficou certinha. Quem sabe, sabe, não é mesmo?
Obrigada Idinha pela dedicação e carinho conosco.
Quando optamos por morar no campo, foi de forma consciente e após muitos anos de espera. Sim, porque de menina, sonhava em morar num espaço com árvores, bichinhos e muito amor.
Hoje conseguimos conciliar nossa vida "de cidade", com as responsabilidades de cidadã, preocupada  com os que vivem ao redor, compartilhando conhecimentos, vida e harmonia.
A minha vida estará em harmonia à medida que sentir a vida do outro harmonizada, pode ser por um pequeno gesto, um sorriso, uma palavra de esperança ou a acolhida.
Algumas coisas ainda me assustam, a própria natureza, embora sábia é intrigante.
Sempre fui muito sincera, quando conheci o Danilo já fui falando: "-Quero morar no mato."
Quando ele infartou, fui logo falando: "-Esta é a hora, vamos embora."
Ele embirrou e foi sistemático: "-Não sou roceiro, vai você, eu não vou".
Nossos filhos me apoiaram e nós viemos.
Hoje não quer sair daqui por nada no mundo. 
Tivemos problemas com o construtor, tivemos problemas de água, que não foi fácil, comprávamos caminhão de água e como moramos no topo do morro, o caminhão chegava com metade do tanque, a água escorria pela subida.
As pessoas que sabiam da nossa luta nos indicaram uma pessoa na prefeitura, fomos solicitar a água, fomos atendidos por 3 semanas, logo veio um sujeito da prefeitura, alegando que não tínhamos direito à água porque morávamos em área rural e não pagávamos IPTU, enquanto isso víamos caminhões de água abastecendo chácaras e sítios em área rural para encher as piscinas.
Conseguimos, depois de empreitadas mal sucedidas, encontrar um senhor que resolveu o nosso problema e até hoje somos abastecidos com a água do nosso poço. 
Quando viemos para a chácara, tínhamos 6 gatos, 1 cachorra - Gabi e 1 Agapórni  - Zequinha.
Os gatos começaram a sumir, dos que vieram da praia, apenas a Paloma sobreviveu por 6 anos.
O irmãozinho da Paloma encontramos no terreno ao lado com um buraco no cangote e ninguém me tira da cabeça que o gavião tentou levar, mas caiu, por ser pesado.
A Gabi, por descuido cruzou e teve 7 filhotes, demos 4 e ficamos com 3: Talita, Whatusi e Thor.
Quando a Paloma morreu o veterinário me deu 2 gatinhos: Pitoco e Pitchulina.
O Pitoco era metido a valente e batia até em cachorro, um dia o cachorro da chácara vizinha o matou.
A Pitchulina sempre foi muito caçadora, são os ratinhos, passarinhos, quatis e lagartos, no dia que vi um lagarto embaixo de minha cama, quase infartei, foi apavorante.
Uns 3 anos atrás ela apareceu com a carinha toda arrebentada, achei que ela tinha ido em alguma chácara e levado uma paulada. Levamos à veterinária, que costurou a carinha e refez o maxilar. Ficamos intrigados com o tipo de lesão que sofreu, mais tarde chegamos à conclusão que ao mexer com algum lagarto levou uma rabada. Êsse lagarto vem até a entrada de nossa chácara se espoja no cimentado para tomar sol, procuramos não incomodá-lo e a Pitchulina não sai mais de casa. 
Não gosto de caçadores, sempre que podemos entramos na mata para desfazer girais e desmanchar armadilhas. Quase sempre eles passam por aqui com seus cachorros e ouvimos muitos tiros. Por aqui ainda correm veadinhos lindos, já vimos um casal de lobos, Já entrou em nosso quintal uma siriema linda, mas correu assustada.
Nossos cachorros já encurralaram uma preguiça, prendi os cachorros, peguei a preguiça com um pano e a levei para árvore. Convivemos bem com sagüis, bugios, maritacas, tucanos e também cobras, quando aparecem em nosso quintal, levamos para a mata. 
Quando minha cachorra Talita morreu, no ano passado, fiquei muito triste era uma companheirona, muito doce e brincalhona. Estes dias comecei a pensar nela e me veio a resposta: uns meses antes ela, a mãe e os irmãos apareceram com a cara toda amarela de espinhos do porco espinho, conseguimos tirar de todos, menos da Talita, levamos à veterinária que a sedou e retirou mais 200 espinhos, sua garganta estava toda espetada, até seus olhos. Durante alguns dias ainda tirei alguns espinhos, depois ela começou a secar, não chorava, não dava trabalho, mas foi definhando até a morte. 
A situação mais recente: o gavião arrancou a cabeça do passarinho na gaiola e o nosso primo correu para conseguir salvar o outro que estava junto e onde ele mora é perto da avenida, 600 metros distante de nós.
Temos um casal de gaviões que faz ponto na árvore em frente de casa, procuro soltar os pintinhos só quando posso ficar por perto, essa é a razão da gente ficar o tempo todo pageando os bebezinhos.
Apesar de todas as mazelas, ainda considero que foi a melhor escolha que fizemos, tinha uma rinite que me acompanhava desde criança que decidiu ir embora, amo cada pedacinho do meu chão, posso fazer meus trabalhos olhando o céu e a mata que circunda o nosso cantinho. Me sinto livre, mais perto de Deus e todos que vêm em casa falam que moramos pertinho do céu, acho que Ele está aqui.
Prá vocês, um grande abraço, que Deus esteja com todos.




3 comentários:

  1. Oi Tereza,
    obrigada pela visita e por suas palavras, o exposição é no Multi Modas Center em Jundiaí.Bj.

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  2. Amei poder ler tudo isso!
    Aqui onde moro, não tem tanto bicho assim, mas a convivência com a natureza é possível, mesmo estando na cidade. Amo essa serra que me rodeia, as matas que formam o Parque Nacional, onde circulo e me sinto em casa.Tbém sinto Deus em cada cantinho desse chão, céu e tudo dessa natureza exuberante que posso contemplar. É bom demais sentir isso, né?

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