Com amor, todo sonho é possível

Meu último natal



Quando chega o natal,
fico sempre mais emotiva,
lembro de 1957,
quando o último natal passei,
com minha mãe querida.
era uma festa,
que ela demais curtia.
Não me sai da lembrança,
quando nesse ano,
a boneca ganhei,
junto com fogão e panelinhas.
Ganhei,
também,
um lindo vestido,
que a meu pai não agradou,
mandando mamãe trocar,
não sem antes a maltratar.
Dez dias depois, 
minha mãe da vida se despediu.
Só levando tristezas,
tão sozinha me deixando.

No outro natal,
com Alzira fui passar,
que como ninguém, 
sabia sua casa enfeitar.
Só que, no dia da ceia,
um maldoso golpe de ar,
espalhou o fogo das velas,
da enorme árvore encantada,
queimando tudo,
do apartamento 52,
da 9 de julho.
Mais uma vez,
o destino malvado,
tirou minha alegria.

Mas não me rendi.
Comecei a sonhar,
com minha família,
que queria grande,
por não gostar de sozinha estar.
Tentei,
por muito tempo,
fazer desse dia,
uma grande festa da família.
Mas a discórdia foi se instalando,
pelo crescimento da erva daninha,
fomentando intrigas,
a essência sugando dos frutos gerados,
qual figueira,
árvore tão agressiva,
estrangulando a hospedeira.

Não ia mais festejar, 
tinha decidido,
mas a ligação de meu filho,
me fez de ideia mudar.
Queria de novo me ver feliz.
Aos meus netos mostrar,
que Valente, não pode se entregar.
As caixas fui trazendo e 
comecei a montar
na maior alegria,
quando descobri que,
até a saia da minha árvore roubaram.
Tudo que levaram,
lembranças felizes me traziam:
a porquinha churrasqueira de Mira,
pratos de cerâmicas portuguesas,
roupas que tricotava para as aulas,
utensílios novos de minha cozinha,
muitas miniaturas de coleções que fazia,
amigos que sabiam das coleções e
 sempre, me presenteavam com novidades.
Levaram até,
enxovais de bebê do Grupo,
que entregamos às gestantes necessitadas,
que estavam em casa,
sob minha guarda.

Que mágoa enorme me infligiram.
Roubaram todos meus sonhos,
sem o menor constrangimento,
dividindo o espólio entre si.
Quanta tristeza me causaram,
quando percebi,
que viva me enterraram.

Com a alma dilacerada,
coração sangrando muito,
o equilíbrio perdi e
do dorso do sofá caí.
Dor imensa senti,
do trauma lombar,
que acredito,
um dia passará.
Mas, a ferida aberta em meu peito,
pelo enorme pesar,
de filhos tão ingratos,
dificilmente fechará,
porque nenhum deles,
 arrependimento mostra,
de tudo que me fizeram.

Abraços muito carinhosos

Um comentário:

  1. Bem, a vida pode ser dura. Mas nós, não devemos ser duros.
    Feliz natal, e um 2014 de muita saúde e prosperidade!

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