Com amor, todo sonho é possível

Bicho Papão

Em junho de 1985, ganhei de minha amiga Constância, o livro "A CARÍCIA ESSENCIAL" uma psicologia do afeto, autor Roberto Shinyashiki, com estas observações na contra capa:

"Tantas coisas se tem procurado como meio de encontrar a felicidade... Tanto se tem buscado para a realização do homem...
Porém o que nós vemos é que cada um de nós tem a suas necessidades... os seus desejos.
O caminho da auto-realização é individual e peculiar a cada um.
Muitas vezes, em determinados relacionamentos, não entendemos a forma do outro nos amar. É bastante comum alguém dizer: "Eu sei que ela me ama, mas não entendo porque passa o tempo todo me criticando", "Ele me ama, mas parece que foge de mim o tempo todo." Ou: "Por que será que as pessoas me tratam dessa maneira?"
"Carícia" é uma forma de procurar tornar objetivo um tema tão subjetivo como o afeto e as formas de reconhecimento da existência do outro.
Neste livro o autor, numa linguagem simples, coloquial, faz uma análise dos caminhos que as pessoas têm para demonstrar amor.
Escrito na forma de uma "conversa", envolve o leitor numa abordagem de aspectos psicológicos e sociais implícitos na comunicação, que influem decisivamente nos encontros humanos."

Em época de escolhas, sejam elas quais forem, a mais recente, foram as eleições, lembro de um capítulo do livro:
"SE VOCÊ NÃO FICAR BONZINHO O BICHO PAPÃO VEM TE PEGAR"
Nos sistemas de intensa repressão social, um dos mais usados meios para realizar essa repressão é estimular os indivíduos a denunciarem pessoas de atos suspeitos contra o sistema.
Dessa maneira, isso acaba gerando duas sensações: uma de onipotência, porque, se não se gostar de alguém, ou se souber algo errado desta pessoa, pode-se denunciá-la. Outra sensação é de ameaça, porque se alguém tiver algo contra outra pessoa, essa corre perigo.
Podemos lembrar das perseguições aos judeus, das caças às bruxas nos Estados Unidos e do Brasil no auge da repressão...
Falar mal é uma maneira de denúncia, que ameaça, reprime e controla as condutas dos outros.
Assim como: Bicho papão vem te pegar!!!
A fofoca funciona dessa maneira.
Você lembra quando tinha poucas carícias na infância? Pois bem, eu vou falar mal de você e aí você não vai mais receber as carícias.
Como se as pessoas em geral, possíveis executores de fofocas, fossem agentes do sistema de repressão. (E o pior é que geralmente querem funcionar assim! Apesar de não terem esse poder).
O cerco se fecha!
E a opinião do outro fica sendo cada vez mais valorizada! (como se fosse papai e mamãe)
E isto acaba gerando o medo.
Um medo enorme dentro de cada um.
Porque senão vão falar mal.
E se alguém perder o amor dessas pessoas é ameaçado com a privação de carícias...
Como um bebê sem mamadeira,
Faça o que espero de você,
Senão eu falo mal de você...
Para as outras pessoas...
E o pior é que isto vai funcionar, enquanto as pessoas não aprenderem:
"Que sempre há outra pessoa para amá-las, exatamente do jeito que são."
"Que não são agentes de controle de condutas sociais."
"Que criar medo não é maneira de resolver divergências."

Texto do Livro: "A carícia essencial" de Roberto Shinyashiki

Engraçado, como alguns fatos nos remetem a situações que vivenciamos no passado, em 1970, frequentava o Curso de Serviço Social, era uma pessoa cheia de sonhos, muitos ideais e a certeza que realizaria todos, mas em plena ditadura, vi amigos desaparecerem da noite para o dia, muitos murmurinhos e o meu pai sempre me alertou: "não se manifeste, que será deportada." 
Já havia deixado de trabalhar, para cuidar de meu bebê e com receio, por conta de meu temperamento, pois, como boa ariana, tenho a verdade como princípio, havia me engajado aos movimentos sociais, na luta contra a repressão, recuei e decidi me afastar de tudo que pudesse ameaçar a minha família.
Acredito que a palavra escrita ou falada são instrumentos capazes de mudar os rumos de uma Nação.
Sou totalmente contrária às manifestações agressivas ou truculentas, não aceito a imposição, tudo deve ser tratado e acordado, se necessário, não havendo consenso, a intervenção coerente da Justiça, deve mediar a situação.
Mais recentemente, vivenciei outro episódio, desta vez pessoal, com intuito de acabar comigo. Como adoeci, em 1983, quis o divórcio, 1º porque, com a recessão, estava prestes a perder o emprego e não podia contar com o companheiro, não gostava do trabalho e se recebia, dizia que o dinheiro era dele, 2º eu havia mudado e, não achava justo a pessoa coabitar com uma "doente".
Dizia que me amava, mesmo doente, mal sabia que a intenção era outra, usava a minha doença, como desculpa, para as patifarias que praticava, espalhando fofocas e denegrindo a imagem de quem  o sustentava.
À medida que descobria seus deslizes, corria para os filhos, para garantir sua permanência, qual Bicho Papão, ameaçando tirar-me o chão, se não aceitasse sua presença.
"Só comigo será a matriarca da família."
Quanta audácia, quanta pretensão, só para garantir a pensão da presa em questão. 
O mais interessante, é que hoje, não tenho mais certeza de nada, estou buscando nos livros e em referências idôneas, iniciar meu aprendizado, na companhia do meu Salvador, um Deus Misericordioso, que me conforta e enche a minha vida de alegria.
Destaco as frases acima mencionadas:

"Que sempre há outra pessoa para amá-las, exatamente do jeito que são."
"Que não são agentes de controle de condutas sociais."
"Que criar medo não é maneira de resolver divergências."
Roberto Shinyashiki

Não permita que o "Bicho Papão" te impeça de viver.
Abraços carinhosos

6 comentários:

  1. Olá Teresa! Passando para agradecer a tua visita e amável comentário, assim como pelo incentivo para que eu continue com o nosso Literatura & Companhia Ilimitada. Segundo às estatísticas, ele é muito mais visitado do que o Arte & Emoções, mas como os visitantes não deixam comentários, eu não tomo conhecimento das visitas, e isso me deixa muito desmotivado para continuá-lo.

    Ao ler o teu belo e bem coordenado texto, lembrei-me do tempo em que vendia livros e, ao visitar um cliente/amigo, procurador do INPS, (hoje INSS) e ao pedir-lhe informações sobre um outro advogado que queria me comprar algumas coleções, o mesmo me respondeu: Olha Furtado, quando você não puder dar boas informações de alguém, ruins você não dê. Uma grande lição que nunca esqueci e repasso-a sempre que se me apresenta a oportunidade.

    Abraços e muita saúde e paz para ti e para os teus.

    Furtado.

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    1. Oi Furtado você tocou num assunto que também me intriga, iniciei o blog para publicar a arte e as tramas que tecemos em companhia da família e amigos, mas fui ficando mais ousada e menos leve, levando a público o risco por que passava. Queria me salvar da morte eminente, felizmente, consegui, amedrontei o bicho papão. Ás vezes me questiono, se devo continuar nessa linha, embora as estatísticas apontem grande fluxo, mas tem hora que cansa.
      Agora o teu "Literatura & Companhia Ilimitada" é muito importante, você oferece conhecimento que não recebemos na escola, não existe outro similar ao seu e, hoje precisamos estar a par do que nos precedeu, para entender o que estamos vivendo. A literatura nos mostra. Continue, sim, antes eu comentava em todos que visitava, mas não tinha retorno; hoje, eu comento naqueles que praticam a gentileza de nos visitar. Se me permitir, fazer uma observação, porque não coloca nos blogs, para recebermos em nossos emails, você terá o retorno das pessoas que querem receber as postagens. Tenho problemas com a internet/Vivo, estou tentando resolver, aí estarei mais presente.
      Agradeço o carinho em repassar a lição, que considero a atitude de um bom cristão, se não puder falar bem, mal não falo. Mas, infelizmente, nem todos pensam assim, ainda mais para ganhar vantagem.
      Furtado gosto muito dos seus comentários, agradeço a gentileza da visita, abraços carinhosos
      Maria Teresa

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  2. O bicho papão é a metafora ideal para o medo, adorei o texto!

    Bjxxx

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  3. Com certeza Isy. Agradeço o carinho, abraços afetuosos
    Maria Teresa

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  4. Olá, que perfeito e tão propicio para o meu momento de vida esse texto! Amei... Obrigada por compartilhar coisas boas!!!
    bjs fraternos

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  5. Agradeço seu carinho, abraços afetuosos
    Maria Teresa

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