Com amor, todo sonho é possível

Nada, nada, eu não sou nada...

Senhor, assim quiseste, eis-me jogado no chão.
Não ouso nem mesmo reerguer-me, nem mesmo olhar-te.
Nada, nada, eu não sou nada, agora o sei.
Tua luz é terrível, Senhor, bem quisera escapar-lhe.
Desde que Te acolhi, iluminaste-me a vida.
Cada dia, impiedosa, Tua claridade a revela.
E vejo o que nunca havia visto.
Vejo a floresta de meus pecados, por trás da árvore que os escondia.
Vejo as raízes incalculáveis, impossíveis de se apanhar.
Vejo que tudo em mim Te faz barreira, como a mínima parcela de matéria estorva o sol e faz nascer a noite.
Vejo o demônio atacar os pontos de minha cidadela que eu julgava inexpugnável.
E me vejo trôpego, bem perto de cair.
Vejo minha impotência, eu que me acreditava capaz de me tornar belo para Ti.
Vejo que em mim tudo é mesclado, e que nenhum dos meus gestos é puro.
Vejo a profundeza inifinita de cada culpa em face do infinito do teu Amor.
Vejo-me incapaz de atingir uma alma que seja, com o ruido de minhas palavras e com o vento produzido por meus gestos.
Vejo soprar o Espírito onde eu não labutei, e germinar a semente onde não a semeei.
Nada, Nada, eu não sou nada, eu Nada faço, agora o sei.
Mas trazes sempre a Luz, Senhor, Tu iluminas.
Nem um recanto em minha alma e em minha vida ficam na sombra.
Como és duro e implacável.
Por mais que eu volte as costas por toda parte está Tua Luz
E me acho nu, Senhor, diante de mim mesmo, horrorizado.
Antes, proclamava que era pecador, que era indigno,
Assim pensava, Senhor, porém não o sabia,
Diante de Ti procurava algumas faltas
Mas só conseguia, a duras penas, umas magras confissões.
Pois bem: todo o meu ser é que agora se ajoelha,
É o pecado que eu sou que Te implora perdão.
Obrigado, Senhor, por Tua Luz, eu jamais saberia.
Mas Senhor, basta, eu Te asseguro, já compreendi:
Eu Nada sou,
Tu és Tudo.

Texto do livro "Poemas para rezar"
de Michel Quoist - 8ª edição  (março/1961)



Em 1960, depois que minha madrasta soube que meu pai tinha amantes e me levava junto, ficou muito irada e para descontar fez de tudo para que eu apanhasse e apanhei muito, ao ponto de abrir um corte na cabeça. Fui colocada numa banheira com sal, mas como sangrava muito e, com medo que fosse a óbito, me levaram para o PS de Santa Cecília, perto da Clipper.
Falaram que eu havia caído da escada e eu não podia falar nada, senão iria para o Juquery, se desobedecesse. Já ouvira muito essa história, no tempo de minha mãe. Calei.
Estava cursando a 5ª série e no final do ano, quando soube que não havia passado, o medo era tanto, que não quis voltar para casa, minha amiga me levou para a casa dela, que tinha como pai um juiz, mas era juiz de verdade, -" não ela não pode ficar aqui, ela tem que voltar para o pai."
Não sei o que ele falou para o meu pai, mas dessa vez não apanhei.
Eu percebi que quem tem o poder manda, quem não é nada, obedece.
Aí, eu fui boazinha até os 13 anos.
Mas, eu tinha um vício que me permitia viver, gostava muito de ler e sonhar com a liberdade que um dia teria.
Não tinha uma religião, apenas seguia aquela em que fui batizada, depois,  aprendi alguma coisa em razão de ter sido internada em colégio de freiras desde os 5 anos e por incrível que pareça, meu pai me mandava para a missa todos os domingos. Nessa época, ganhei um livro, sem sua capa original, encapado em papel de presente, que está até hoje, já bem gasta:" Poemas para rezar " "Quando toda a vida se torna oração", de Michael Quoist. 8ª edição (1961).
Volta e meia o leio, porque são poemas lindos que nos tocam fundo.
E, hoje, mais de 50 anos depois, percebo que nada mudou, para a mulher e, para quem faz tratamento psiquiátrico, você não tem voz, você não tem credibilidade, sua vida é tomada, você é virada do avesso, você é explorada, você é humilhada, você é ameaçada, violentada e, se falar, pode ser processada, conclusão: a mulher que busca tratamento, por conta de um casamento malogrado e que já no 2º ano, por não conseguir o divórcio, a levou à depressão profunda.
Essa mulher não é ouvida, não tem direitos, não tem "provas", não tem "testemunhas", dos crimes realizados entre 4 paredes e que o tempo todo foi ignorada e desprezada, para que só tivesse como única saída, o suicídio.
A Lei não a ouviu, a Lei não a defendeu, a Lei se omitiu.
Só quem a ouviu foi Deus e, num milagre, tirou o malígno de sua casa.
E, é esse Deus que a tem mantido e permitido passar por situações que jamais teria conseguido sozinha.
Passei hoje pelo ortopedista e fui encaminhada para fisioterapia, do tombo de novembro/2013, tive 2 fraturas, que o dr. brincou - "Suas fraturas são como as de Neymar". E, eu só podia dar risada e brincar, -"Mas, Neymar tem toda uma estrutura para o tratar, já está até jogando, eu ainda estou travada e com dor.", mas superei.
No início deste ano, fui fazer meus exames anuais e em abril, na mamografia, apareceram nódulos bem definidos, isso me ocupou bastante, passei por novos exames e aquele de "compressão", muito dolorido, ajoelhei e pedi a Deus por mais esse milagre, que no dia 16 último, a médica abriu os exames e me disse, pode ficar tranquila, não deu nada, seu Deus te ouviu.
Hoje, eu senti o quanto é maravilhoso, confiar e acreditar em Deus, embora em provas, mas firme, sabendo que Deus é Justo e Poderoso e tudo posso, Naquele que me fortalece.
Agradeço a Deus pela nova vida que me permite viver.
Obrigada, Senhor, por olhar para mim e me provisionar, através de seus anjos de Luz.


2 comentários:

  1. Maria Teresa, gosto de ler seus posts, quando coloca algo extraído de algum livro ou quando expõe algo sobre você. Sinto que tem muita mágoa, mas que está superando todas estas tristezas de uma vida. Agora, aproveite as boas companhias, pessoas amigas e acolhedoras que a cercam e escreva, desabafe; mas sobretudo escreva uma nova história para você. Segure na mão de Jesus, com Ele somos fortalecidos e vencedores. Deus a abençõe sempre e muito mais. Um abraço. Elenice.

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    1. Oi Elenice, agradeço pelo carinho do comentário. Sabe, mágoa, depois que conheci a Jesus não tenho mais, estou sim, indignada com a Justiça, que ao invés de proteger as mulheres, passados 50 anos, ainda acoberta e protege agressores domésticos. Luto pelos meus direitos de cidadã que deveria ser protegida e não fui, mesmo cumprindo com minhas obrigações de contribuinte. Sou vencedora isso bem sei, pois Deus me libertou de um cativeiro em que era submetida a torturas, sevícias e humilhações todos os dias de quase 40 anos. Minha história começou a ser escrita no momento que conheci a Cristo e senti que só Ele poderia me salvar das amarras daquele monstro, que se escondia na máscara de bom rapaz. A justiça acredita nas palavras desse agressor, que alega nunca ter me ameaçado, nem me seviciado ou estuprado, mas como sou mulher e me trato com psiquiatra, não aceitam a minha denúncia e ele que me roubou tudo, estourou todos os meus carros e dilapidou meu patrimônio vive numa boa, como diz o filho, arrumou uma velha rica para o sustentar. Tripudiando em cima de todo mundo. Mágoa não tenho, porque esse homem não passa de um pobre miserável, sem escrúpulos, mas incrivelmente astuto e, precisa ser preso, para pagar pelos crimes que cometeu mas a Justiça alega não ter provas. Obrigada

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