Com amor, todo sonho é possível

Quem não tem competência...

Em 06/09/2014
- "Quem não tem competência não se estabelece."
Engraçado, tenho pensado com frequência em meu pai e ele falava muito - "Quem não tem competência, não se estabelece" Hoje, posso afirmar, com toda a convicção que, apesar de tudo, meu pai era uma pessoa sábia e eu deveria tê-lo escutado mais, obedecido mais e perdoado, muito antes do seu final. Embora não o tenha ofendido, respondido ou maltratado, tinha uma mágoa muito grande pelo que fez à minha mãe. Lembro da última surra, quando eu fiquei doente, vomitando muito, ela me deu banho, me vestiu, me deitou em sua cama, muito bem arrumada, com lençóis e colcha, que ela, muito prendada, havia feito para casar. 
Mandou chamar o médico. Quando meu pai chegou, me tirou aos tapas da cama, minha mãe tentou impedir, aí ele se virou para ela, acusando-a de me mimar, foi pegando pau e, seus gritos nunca saíram de minha lembrança -"Não, João, não me bata mais", minha mãe apanhava por tudo, mesmo caída no chão, continuava chutando, até não não mais aguentar.
Ele tinha o jeito dele, mas, acredito, que nunca quis o meu mal. 
Meu pai era um exemplo de garra e determinação, queria muito um filho homem para dar continuidade ao nome e construir um império, essa era sua ambição. Lutou até o fim pela vida, fez o que pode para viver, até vir morar com a filha, que o deixou muito constrangido, isso ele falou, justamente a filha que não se dobrou ao seu dinheiro, mas lhe acolheu com respeito e verdadeira admiração.
Nos dias em que ficou em casa mostrou um lado que não conhecia, gostava de jogar dominó, dama e só queria ganhar, não aceitava perder; como, também, o lado que fugi por não aceitar, sempre quis impor o seu jeito de pensar, comprando todos à sua volta. Para o meu pai o dinheiro era tudo na vida,  uma ganância desenfreada, como se o dinheiro fosse o Deus do seu mundo.
Embora, percebesse, em alguns momentos, que tentava se agarrar à Nossa Senhora de Fátima, para que o livrasse daquilo que o estava consumindo e,  devorando suas entranhas ainda em vida, não perdeu a pose, só se entregando, quando a mulher ligou, dizendo que havia encontrado seu tesouro em dólares.
Foi aí que meu pai se entregou, não quis mais viver, não aceitava os remédios e não quis mais marchar, como fazia todo dia, dando voltas no quintal.
E, foi nesse momento, também, que pediu perdão pela minha mãe, dizendo que o culpado de tudo que aconteceu com ela, havia sido ele. Ele só pensava em dinheiro e fazer fortuna, não foi o homem que ela precisava.
Conhecendo o meu pai, imagino como foi difícil vir para casa e pedir perdão pelo que fez com minha mãe, já que passou a vida me acusando de tê-la matado.
E, também nunca falei que era minha mãe que me mandava, a todo momento, para junto dele, acredito que por medo, que meu pai soubesse o quanto a amava.
Hoje, lembrando do que falava: "Quem não tem competência, não se estabelece.", passa um filme em minha memória, o quanto tinha razão, nunca tive competência para formar família, porque quis andar na contra-mão?
Não sou capaz de nada, nem mesmo de me tirar de circulação!!!
Abraços carinhosos

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