Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete

Hibisco dobrada em 28/01/2015


Boa tarde, você está bem? Espero que sim, na graça de Deus.
Estou em fase de organização e separação de papéis, embora passando a limpo muitas coisas, outras estou eliminando. Sempre gostei de anotar meus sentimentos, em um papel qualquer, numa agenda, aquilo que estivesse disponível no momento e entre muitos que mantinha diálogo com Deus, nesta em especial, não falei de Deus, apenas de mim, datada de 27/06/1978 (30 anos):

"" Sinto-me como a crosta terrestre que recebe vários abalos e através deles há a compactação da terra, a acomodação. Estas fases depressivas que atravesso, estão servindo para me tornar menos vulnerável, mais realista e, consequentemente, me farão criar uma vida isolada em termos afetivos. Os homens de uma maneira geral, são falsos, fantasiam personagens de acordo com o interesse no momento, a fim de atrair a presa e, assim, a gente cai, como patinho.
Existem inúmeras vantagens em se viver só, a liberdade é total e a solidão, às vezes, é necessária. Enquanto que, quando se vive com alguém, não há opção e mesmo sentindo vontade de se isolar, não se pode. Não é tão fácil assim, como se descreve, mas no momento é o que me resta, talvez, até para a vida inteira.
Em certos momentos a gente se apercebe relembrando carícias antigas, atenções que já não são nossas e vem aquela dorzinha, bem no fundo do nosso íntimo, pelo que poderia ter sido feito, pela luta que se perdeu.
Por diversas vezes já consegui encontrar uma paz, não sei explicar é algo tão maravilhoso, uma sensação de leveza, como se não tivesse tido nenhum passado, é como se tivesse nascido naquele momento. Gostaria de poder perpetuar, de uma maneira que não atravessasse mais por nenhuma crise.
Vamos abrir o jogo, ao me analisar, sinto que sou bem diferente das outras pessoas, sinto-me autêntica, com forças para carregar um mundo às costas, mesmo quando começo a esmorecer, sei que é o baque momentâneo e que mais cedo do que posso prever terei forças para superar e levantar qualquer peso.
Todas as etapas do meu viver, são consequências mais do que lógicas e aceitáveis de uma vida vibrante, linda  e fascinante. Amo cada minuto como se fosse o único, aproveito intensamente todos os momentos, não gosto de passar por qualquer fase sem saborear os diversos gostos.
Passei por 4 homens, cada um com algo maravilhoso a lembrar, restando agora resquícios de um passado que marcou, mas que ao mesmo tempo se desintegrou de meu ser. Não tenho peso nos ombros das cargas depositadas durante esse trajeto, parece até que são slides ou mesmo projeções que nada têm a ver comigo. É uma vivência sem participação, é o amadurecimento sem a experiência. Dá a impressão de estar tudo sem sentido, mas é exatamente assim que vejo as coisas, como os monges do Tibet, que passam pelas brasas com os pés nus, sem queimar e  sem marcar.
Não posso me comparar às pessoas que se preparam, em minha humilde existência e em minha ignorância, sei que consigo aproveitar de forma positiva, tudo que me é devido.
Quero viver, deixem-me viver, pois eu viverei eternamente.
Acredito que jamais sentirei o calor de um beijo, ou a sensação de um corpo tão perto, irradiando vibrações que envolvem de forma tão deliciosa o nosso ser, não aceito mais fantasias que se deterioram ao simples contato com o ar. ""

O interessante foram as emoções anotadas antes e depois desse dia. 
Hoje, 35 anos depois, após a decepção de perder meus filhos em vida, percebi a grande diferença que sempre me manteve viva, Deus, é a única resposta. Por meus filhos sempre quis viver; por meus filhos quis morrer, na eminência de não dar conta de seu sustento e, quando fui duramente desprezada por eles. 
Eles sempre foram meu norte e a minha prioridade, embora, de forma meio atrapalhada, buscasse a Deus, porque sempre acreditei num Ser Superior que nos guiasse, mas tinha medo de confiar Nele, como meu Pai. 
Não recebi, por parte de meus pais, orientação espiritual, muito embora, tenha sido internada em colégio de freiras, aos 5 anos. De uma vida sem regras, passei a cumprir as obrigações diárias do internato, missa, catequese, um aprendizado sem perceber a importância Dele.   
Nem tudo se repete, exatamente igual. As carícias, que nessa época vinham à mente, hoje, nem que me esforce, consigo lembrar. Sumiram, por completo, de minha lembrança. A dor e o sofrimento, durante tanto tempo, tentando me libertar do cativeiro em que estava presa, apagaram por completo da minha memória, apenas a dor permanece, por ter perdido parte de mim, os meus filhos.Você pode achar que sou fria, tudo bem, tem todo o direito, mas, eu diria que é o instinto de preservação. Acredito que, quanto mais priorizamos Deus em nossa vida, mais queremos agradá-Lo e agradecê-Lo por nos livrar do mal, que tanto prejudica nossa existência, o que deve explicar, também, a limpeza de nossa mente, de todo e qualquer fato que nos tire do foco: "VIVER".
Agradeço a Deus, a todo momento, por me permitir mais um dia de vida.
Abraços carinhosos 

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