Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete - 12




Carregou de flores



24/07/1978

Tudo não passou de um sonho

Tenho tanta carência de afeto e atenção, que comecei a deturpar o sentimento de afeto que você me dedicou na 5ª e 6ª feira, acreditando tratar-se de algo mais que simples atenção a uma estreante nervosa e encabulada.

Talvez até pela necessidade de desabafar com alguém é que você começou a conversar e a fazer confidências, tentando encontrar em mim, algum apoio para uma tomada de decisão que provavelmente terá que definir ou assumir.

Saber que não sou só eu que sofro, que tenta tantas vezes, sem acertar, é um conforto.

Pelo fato de me isolar, com frequência, você chegou para me animar, para me incentivar, pode ser!!!

Ao me falar da garota que quis tirar satisfação, pelo seu comportamento, por estar junto de mim, a todo instante, me veio uma dúvida, será que se portou com ela da mesma forma que está se portando comigo? Você pode não saber, pode até ser inconsciente, mas há em seus gestos, em sua conversa, algo como um pedido, um desejo de ter alguém, que pense como você, que almeje, o que você tanto quer. Você dá esperanças para um romance, que poderia iniciar e perdurar pela eternidade.

Seu desabafo: - "Minha terceira mulher não é quem eu amo, não sou feliz, estamos separados."

24/07/1978 -
Qual a intenção real em me dizer isso?

Quem você ama?

Tenta me conquistar ou se consolar?

Falou que viria a São Paulo, pedi que me procurasse.

Acredito que me precipitei, pode também ser como tantos outros que esperam pela iniciativa da mulher, para justificar- se dizendo -"Fui convidado." - "Não queria nada disso." - "Aconteceu sem saber porque."

Será sempre assim? Até quando essa procura?

Ao falar com o JJJ, à tarde, fiquei impressionada com a sua atitude.

Disse para dar-lhe um tempo, que resolveria todas as coisas para nós, que precisa demais de mim e que me ama desesperadamente.

Não acredito, não confio nele. Quisera ouvir essas palavras de você...

Seria, para mim, a maior alegria do mundo, a minha realização como mulher, em ser amada, como sou, sem artifícios, sem mentiras, por um homem como você, Maestro.

Quero demais alguém que me deixe amar, sem precisar usar de artimanhas, brincar de gato e rato, fazer-se de difícil para segurar, para agradar.

E, me vem à lembrança   o que você me disse no ônibus: - "quando se consegue o que quer, já não se deseja mais..." e - "sempre se deseja aquela pessoa, quando se é recusado." É a vontade do proibido, é o desejo do que não se tem.

Os fatos se repetem e não aprendo, no amor não há entrega, quem se rende, doando-se, acaba sempre derrotado, pois ao conquistador não lhe resta mais nada da batalha, a não ser fragmentos de um ser que se entregou e, a vontade de partir para uma nova luta, somando às suas vitórias, as fraquezas daqueles, que ainda ousam amar.


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