Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete - 7




26/06/1978 -
Sinceramente, acho que algo anda acontecendo comigo. Algo de ruim, pois tenho nojo só de pensar que algum homem, promíscuo, irá me abraçar, me beijar, me acariciar.

É uma fase tão negativa.

Na terça feira passada, quando o III me ligou, senti uma raiva enorme dele, puxa vida, tinha dado a entender que tudo ia bem com a gente, quando na sexta feira lhe liguei (16/06) ele me convidou para comer doce e lá fomos nós, de braço dado, naquela doceira da Cons. Crisp., dá a impressão que só quer "amassar", não perde tempo para se encostar e começar com muito exibicionismo, isso me irrita muito, principalmente, na hora em que me levou atrás do cartaz do cinema, deixou uma mágoa tão profunda, me senti uma perfeita mulher/programa. Não gosto de homem inconveniente.

Não estou procurando homem agora, mas se for meu destino encontrar, terá de ser um companheiro para todos os dias, alguém que me dê segurança, em termos totais.

Alguém, com quem eu possa me abrir e dedicar todo o meu amor.

Este carinho que tenho guardado, que está transbordando todo o meu ser, quase me sufocando.

Esta imensa vontade de cuidar de alguém, pensar em alguém, sair com alguém e, naturalmente, poder abraçar alguém, sem pensar que ontem ele esteve com esta ou aquela, porque ele é todinho meu, livre para as minhas carícias que não serão poucas.

Então, ao me ligar, disse-lhe que não iria esperá-lo na quarta feira, para vir trabalhar de carro e voltar pra casa para assistir ao jogo.

Não quis de maneira alguma ser feita de tonta em suas mãos.

Parece que foi praga, na quarta feira, cheguei em casa quase 7 horas, ficamos dentro do trem durante 2 horas, entre as estações de Utinga e Prefeito Saladino.

Te xinguei tanto.

Pensei que tivesse sido o fim, no entanto, dia 23 você estava parado à porta da galeria, estávamos tão atrasadas que não pudemos parar para conversar com você. Mais uma vez, o destino quis que não desse certo. Senti que você saiu tão contrariado.

Cada vez que falho em um relacionamento, volto a esta fase depressiva. Retorno à toda a um passado que ainda sangra, sangra pela cabeçada que dei, devido à teimosia, em não querer dar o braço a torcer, em não saber perdoar.

É duro a gente admitir que errou por não saber perdoar, quis ferir por orgulho, para mostrar que tinha outro da mesma forma como você tinha e me estrepei toda. Agora é muito tarde, tenho um filho, não quis falsear uma verdade, queria a todo custo te mostrar "que eu era mais eu" e, só consegui te perder.

Me iludi durante um bom tempo, mas só hoje compreendi que quanto mais te agredia, mais gostava de você.

Mas, pelo menos, tenho a coragem de admitir e carregar o peso. Meu único consolo é saber que lutei, lutei muito por você, rastejei e, não me envergonho de dizer que implorei por você, por nossa união. Até o último momento, em fevereiro, nas minhas férias (1975) quando já não vi esperança alguma, me vinguei, aceitando outro.

JC acredito que jamais você achará alguém que te ame tanto, quanto eu te amei, assim como eu jamais encontrarei um companheiro tão especial e responsável como você o foi, durante nossos 4 primeiros anos de união.

Aqui, entra o 1º episódio de "Tudo se repete", publicado em 31/01/2015, datado de 27/06/2015.

Abraços carinhosos

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