Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete 17



17/08/1978 -
Bilhete deixado pelo xxx.
- "Um dia eu deixei um bilhete que estragou minha felicidade.
Hoje eu deixo um e digo que te amo e sempre te amarei.
Vou espera-la o tempo que for preciso
ainda tenho esperança e se um dia quiser falar comigo
é só mandar uma carta.
Eu virei correndo porque te amo
não cansarei de esperar meu amor."
(soube que havia quebrado a mão, do soco
que deu na parede, estava com gesso)

21/08/1978
As coisas poderiam ser mais simples, tudo é tão confuso e tão dependente de outras situações e pessoas, que a gente se sente, às vezes, como que numa caixa de marionetes onde nos manipulam para a posição que melhor lhes convier.
Sei exatamente o que quero, pela primeira vez em toda a minha vida, vi claro o que devia fazer, mas me sinto atada, não sinto nada por ele, a não ser pena, pena de o ver tão desorientado, tão rejeitado, afinal de contas é um ser humano e, pelo que estou notando, ninguém o está aceitando, devido à sua condição de desempregado.
Não sai mais daqui, todo dia vem, ontem teve uma crise, parecia uma criança e conclui o que já havia notado, não temos condição de um relacionamento marido/mulher, o que senti, é como se fosse um filho meu, que estivesse ali pedindo ajuda, uma mão para não cair no abismo.
Entre lágrimas me disse, que estava na pior, que sentia raiva de tudo e de todos e, que me procurava para poder ter um pouco de paz, pois só eu e meus filhos o podiam compreender, que longe de nós não tinha vontade de viver e, que estando em nossa presença, seu desejo era de participar, de cuidar das coisas, arrumar tudo em casa, sentia-se útil e querido.
Realmente, as crianças o adoram.
Está muito magro, abatido, fala sem cessar que me ama, quer viver comigo e com as crianças.
É um "sufoco."
Como posso mostrar-lhe que já não é a mesma coisa, tento de todas as formas, falei com calma, já me exaltei. O que fazer?
Diz que quero fazer justiça com as minhas mãos, que o que estou fazendo é uma vingança, não consegue entender de maneira alguma, que eu mudei.
Não admite que eu viva com outro. O que fazer?
Terei de carregar essa cruz pelo resto de minha vida? Ou, até que ele se canse de novo e saia de casa. Como agir num caso destes, não sei, sou capaz de fazer tudo da minha cabeça, mas, agora, estou realmente com a cuca queimada, sem saber como resolver.
Cada vez que volta tenho que aceitar, mas como fazer se ainda tenho que resolver o problema de abril? Não posso mais continuar, preciso de dinheiro urgente, senão será mais um abandonado pelo pai inconsequente e imaturo, a Empresa vai me mandar embora se deixar nascer. Pedi ao JJJ, que me emprestou, mas na entrega me enganou, cheguei em casa, contei e falei que não queria mais, por tudo que aconteceu, disse que me amava e me perdoava.
Desta vez não fui sozinha, ele me acompanhou, mais de 4, a sedação foi maior, ainda bem que não estava só. Tonta por demais, mal sentia o chão, mas disseram que me afastasse o mais rápido possível dali, se alguém perguntasse, para não dizer nada. Saí de lá me sentindo um lixo, qual uma vaca no abatedouro. O que mais abominava, fiz de novo,  nunca me perdoarei.

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