Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete - 25

"Quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles"
Rui Barbosa

Este é o meu momento,
estou me desnudando do que era,
para assumir o que sou,
sem culpas, sem medos.
Maria Teresa

1981/1982/1983
1981!!!

Casei. 
Senhor, 
onde me meti?
Achei serem Teus Sinais,
mas era o mal,
me tentando,
pelos crimes
que cometi.

Agora, 
já é tarde,
não tenho 
como voltar atrás,
vou ter que, 
amargar o encosto,
da minha sina.

Meu espírito rebelde
não aceitava nada daquilo,
são as culpas
que carregamos,
que nos imobilizam.
Na retrospectiva
da minha vida,
achava que merecia.

Minha mãe 
fez muitos abortos,
minha madrasta
também os fez,
condenava esse ato,
batia no peito,
que jamais faria.

Condenava mulheres
que se sujeitavam 
a "machões" possessivos,
questionava o porque?
Precisei vivenciar,
para entender,
que são nossos medos, 
que nos amarram e
nos imobilizam.

Vendi minha casa, fiquei sem nada, pedi transferência para a Usina. Amava muito a Empresa, só que, entrei em fria, tinha que participar das reuniões para estimular os funcionários a trabalhar, à tarde saia a lista dos demitidos, participar daquela farsa mexeu comigo, travei por completo.




                                 Margarete e eu, no banco de trás (1982) - refeitório Usina.  
Ela muito me ajudou, para encontrar a casa que aluguei, sou grata.

O homem em casa, não queria nada com nada, trazia endereço de empresas que estavam recrutando, mas nem se dava ao trabalho de ir, seu negócio era jogar bola o dia inteiro e reclamar das crianças. Dizia que não ia mais trabalhar em empresas, porque só o exploravam.
Embora evitando, engravidei, falei com meu superior, que me parabenizou.
Achei que fosse a chance de reparar meus erros, por isso amei muito, aquele "ser" crescendo em meu ventre. Curtindo cada dia, com muito carinho, esperando por seu nascimento.
Comecei a me preparar para a demissão, buscando alternativas de trabalho, meus filhos só tinham a mim, não podia falhar. Fui fazer curso na Água Branca, iria criar rãs. Devorava todas as publicações sobre o assunto, acreditava que venceria mais esse obstáculo, nunca tive medo de enfrentar o batente.
Meu filho nasceu em agosto, deveria retornar à empresa em janeiro/83.
Minha colega foi me visitar, só para me dizer, que o departamento em que trabalhava, havia sido extinto. Aí, experimentei o medo, não podia contar com o companheiro, nem para me apoiar, em tudo era omisso, como iria fazer para sustentar meus filhos? O dia do retorno ao trabalho se aproximando, já não havia mais condução da Empresa para os funcionários de SA, precisava entregar a casa, não havia encontrado outra, na baixada. Eu, correndo de um lado pra outro, com meu bebê recém nascido, para resolver a situação e ter que aguentar o mau humor da pessoa, que queria ficar em SP, reclamando de tudo e, de todos os meus amigos, que tentavam ajudar.
Aluguei uma casa, com proposta de compra, entregando 6 cheques pré datados, acreditando, que seria tempo suficiente, para conseguir o financiamento do imóvel.
Enfim, mudamos, chegamos à noite, não havia energia na casa, ajeitamos algumas coisas no chão para dormir. No outro dia, percebemos que haviam furtado toda a fiação do imóvel.
Retornei ao trabalho no dia seguinte, tudo mudado, não havia mesa, não havia departamento, não havia mais nada, era, apenas uma pessoa que ficava o dia inteiro sentada, olhando para os outros, nada me davam pra fazer. Na sexta feira, fui chamada ... - "A sra. não tem nada em seu prontuário, que a desabone, mas, sabe como é, na Empresa somos todos descartáveis." O que retruquei, -"Como descartáveis, a empresa investe em mim, agora me descarta? Isso é uma incoerência..."
Nada mais é incoerente na vida, é a dança das cadeiras e eu dancei.
Naquela noite não dormi, levantei, no sábado toda dolorida, a cabeça estourando, vomitando muito, com diarreia e não conseguia ficar em pé. Chegando ao hospital, já me internaram, minha pressão estava 24 x 19, toda torta.
Quem me atendeu foi um cardiologista muito paciente, porque eu não aceitava ficar internada, queria sair a qualquer custo, pedi minha alta na segunda, assinei o termo de responsabilidade e fui trabalhar. Ele sensibilizado com a minha situação ofereceu trabalho ao xxx.
Estava bem dopada, mas fui trabalhar assim mesmo, aí, naquele estado, resolveram me mandar para um escritório. Pelo menos, estava fazendo alguma coisa.
Agora, tinha que correr contra o tempo, precisava comprar logo uma casa, para acomodar meus filhos, minha maior preocupação era essa, se algo me acontecesse, estariam protegidos. Uma ideia maluca, começou a me tentar, cada vez mais, eu me via pensando nisso, com um casamento fracassado, era o único jeito.
Participei de um leilão da CEF, ganhei e fui descartada, pela 1ª vez, perdi a compostura, fui para a frente da agência fazer escândalo, já estavam visíveis os meus sinais de descontrole. Além de estar emagrecendo a olhos vistos, definhei em todos os sentidos, já não haviam esperanças, fracassei como mãe, fracassei como profissional, fracassei como pessoa, não era mais eu, estava apavorada.
Tanto corri, que encontrei uma casa em condições de adquirir com o FGTS. Entreguei a casa que havíamos alugado, que era enorme e nos acomodamos numa casinha minúscula, que eu consegui comprar. Acredito que a agitação e a constatação do erro que cometi, ao me casar com aquele sujeito, me levou a ter a 2ª crise, desta vez no trabalho, não teve jeito, fui internada em 06 de setembro de 1983.

2 comentários:

  1. oi amiga por isso parabens pela sua força amiga Deus te abençoe cada vez mais bjkas

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    1. Agradeço seu carinho Claudia, abraços afetuosos
      Maria Teresa

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