Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete - 28

"Quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles."
Rui Barbosa

"Eu não sou o que aconteceu comigo. Eu sou o que escolhi me tornar."
Carl Jung

Este é o meu momento,
Estou me desnudando do que era
para assumir o que sou,
sem culpas, nem medos.
Maria Teresa



26/09/1983
Fui passar o final de semana em casa, é tudo tão estranho, tenho medo dos meus filhos, só o DDD vem abrindo os bracinhos para mim, eu o amo muito, é a razão da minha vida. Se não fosse por ele já teria ido, andei um pouco por lá com o xxx e sua mãe. Engraçado, já não aceito mais viver com eles, gostaria de estar longe.
A relação foi muito dolorida, estou com meus órgãos ardendo até hoje, pegou a mesma mania do 1º, alega que fui eu que pedi, como posso ter pedido isso, se foi por essa razão, que não quis mais casar?
Acredito que tudo vai se acabar, ele não gosta de mim, me usa e me atura pela necessidade. 
Minha cabeça doe tanto, parece que vai estourar, já tomei remédio e o médico mandou dar umas gotas amargas, ao invés da pilula.
Sinto tanta tristeza, tanta agonia, que não sei onde vai acabar tudo isto.

Será loucura minha?
Eu não acredito nele, tem um jeito sacana, irônico, de quem está aprontando e eu lhe dei toda a autoridade para sacar e mexer com meu salário. Só espero não deixar meus filhos na mão.
Estou preocupada com o Marcos, que caiu do muro e precisa de enxerto na perna. Ele parece um passarinho, não tem força nem pra um sopro de vento.
Que raio de mãe que não consigo ser - transmitir o amor e carinho aos meus filhos, no fim de semana, só me dei ao menorzinho, o único que fez festa quando cheguei. Todos me rejeitam.

O xxx diz que não vem para terminar a casa da So, no entanto, não fez nada e aqui, também, não veio me ver, será que eu é que sou louca ou a coisa é assim mesmo.
Não trouxe um único dia meus filhos pra me ver e tudo estava como antes, será que é só pra curtir a praia.

Se falo, eu é que estou errada, eu é que tenho manias e sou mimada.
Deus, olhe por mim, abençoa-me e diga-me se estou errada.
Quando vai embora, começo a refletir e a ver todas as coisas melhor, aí é que sinto tudo na minha cabeça, como são as pessoas, como são os homens.

28/09/1993
Estou assustada, agora tudo pode ser motivo pra eles; eu vim para uma clínica psiquiátrica, como será para meus filhos. Tenho medo, um medo terrível começou a se apossar de mim, preciso me matar rápido, assim acaba tudo.
Mas, começaram a me falar, que o seguro não paga suicídio, que o xxx é quem vai administrar a pensão e, talvez nem crie meus filhos maiores. Senhor, quanta coisa na minha cabeça, parece uma montanha de redemoinhos, um maior que outro.

30/09/1983
Nós estávamos numa casa enorme, linda e, começaram a chegar coisas e mais coisas para adorná-la, para o nosso casamento. Prensei a esposa de meu pai, para que me falasse quem estava me presenteando com os móveis e adornos.
Pagando, até pra me tratar e deixar em condições de casar, me dando um bom trato. Até, que da privada começou a não descer a merda e, era merda e mais merda, quem tocava em mim, não conseguia colocar vestido e arrumar meu cabelo. Até que chamaram um padre, porque eu estava com encosto, o padre rezava e de nada adiantava, que aflição.
Acordei e, me deu um pavor enorme de ficar na clínica, um medo de receber algo de ruim, rezei.

No outro dia, chegaram dois homens bem vestidos e conversa vai, conversa vem, nos levaram. Só sei que em dado momento, eu estava com meu filho em meio ao tiroteio e o xxx do outro lado, que confusão, que medo de nos implicar no caso de drogas.
Percebi, que tudo que falamos à noite era sonho e é um sonho pesado, ruim.

Fiquei internada por 3 meses, o limite permitido pelo convênio. Passei para o hospital dia, entrava às 8hs e saia às 17 hs. Trazia comigo, todo dia, uma trouxinha de remédios, para tomar antes de dormir.
Mais parecia um zumbi, agora, o pavor era outro: ter de pegar 2 ônibus para ir pra clínica, com o meu carro nas mãos dele e nunca se preocupou em me levar, ele ia pra faculdade (entrou, porque sugeri o curso com muitas vagas e sem candidatos, como opção), todos os dias de carro, usando meu dinheiro.

Na clínica, fazia acompanhamento com a psicóloga, que tentou várias modalidades de artesanato, aí, ela me indicou uma sra. maravilhosa que ensinava bonecas, fui, gostei e me encantei com essa arte.

Tinha um pastor alemão, de 9 anos, muito lindo companheirão de meus filhos, que começou a definhar. Levava ao veterinário, tratava e nada, estava com inanição. Eu preparava a comida dele, para ser dada no outro dia, não sei o que faziam, até que morreu.

Meu bebê, com quase 2 anos começou a se queixar de dor de barriga, foi internado e eu fiquei junto, se contorcia muito com as dores, fiquei apavorada, quando vi uma lombriga da grossura de um lápis no meio de suas pernas. Nunca havia presenciado uma cena daquelas, sempre fui cuidadosa com a alimentação de meus filhos, entrei em choque ao ver aquilo. Estava pior que um lixo, eu que não permitia que meus filhos fossem pra casa dos outros, sempre quis filtrar muito o que eles aprendiam, comiam ou faziam. Tinha um enorme cuidado com os dentes, não permitia que pegassem doces de ninguém, nem dava balas ou chicletes. Achava que era minha obrigação dar o melhor aos meus filhos, agora constatando o mal que fiz a eles, com a minha fraqueza.

Tinha dois filhos que me preocupavam muito, começaram a se rebelar, não sabia o que fazer com eles, perguntava se estavam usando drogas, me respondiam que não e, assim eu vivia com o homem só me enchendo a cabeça com relação a eles, não sabia mais o que fazer. Foram meses muito difíceis, a psicóloga muito paciente, quis conversar com eles, não aceitaram fazer tratamento. Ela começou a me orientar, a forma de me chegar mais a eles. A resistência era tão grande, que ofereci meus filhos a Deus, que os convertesse para padre ou se fossem constituir família, que os transformasse em pastores.

Nessa época, o xxx se envolveu, com a filha do dono do bar que frequentava, mas não aceitava a separação, dizia que me amava, que eram coisas da minha cabeça, depois eu tive a confirmação.

Agradeço ao Dr. A..., um dos médicos da clínica, que em razão da falta de remédios me perguntou se aceitava fazer um tratamento alternativo. Assim, com ele me medicando, fazendo terapia com a C...,
comecei a me recuperar.

0 comentários:

Postar um comentário