Com amor, todo sonho é possível

Tudo se repete - 29

"Quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles."
Rui Barbosa

"Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha."
Victor Hugo

"Eu não sou o que aconteceu comigo. Eu sou o que escolhi me tornar."
Carl Jung

Este é o meu momento,
Estou me desnudando do que era
para assumir o que sou,
sem culpas, nem medos.
Maria Teresa


"A falta de seriedade traz a leviandade."
Fabricio Carpinejar

fevereiro/1987
Passei por muitos dissabores e humilhações, era obrigada a aceitar tudo o que homem impunha, ele estava no controle de tudo, vivia pra acompanhá-lo pela praia e campos de futebol, não havia nenhuma outra distração, até o filho levou uma bolada de lado, no rosto, que deslocou seu ombro. Além de ser uma pessoa inconveniente, era abusado e metido a tirar sarro de todo mundo, até que lhe acertaram, quebrando a perna, literalmente. A mim, nunca me tratou, mas de mim se aproveitou, tinha que lhe carregar a perna pra onde fosse, a coluna cada vez mais arrebentada, por carregar um vagabundo nas costas e nos ombros, literalmente.
Sua família apareceu meses depois, ainda fui obrigada a ouvir: "Eu não faria isso por um homem." e "Você não serve pra enfermeira.", agradecer a visita e sorrir, realmente, eu não deveria ter feito o que fiz, mas já foi feito.

Desde que comecei o tratamento, em 1983, não havia mais menstruado, não sei, se pela agitação ou pelo trabalho que agora, era dobrado, ainda ter que fazer os trabalhos de escola do encostado, engravidei. Agradeci tanto a Deus, por me dar a chance de me regenerar, não deixei vir antes, agora poderia aceitar. Por ser uma gravidez de risco, fez de tudo para me prejudicar, o médico o tempo todo falando que a minha pressão estava muito alta, que não podia passar por dissabores, mas fazia de propósito, trazia todos os problemas da família dele pra mim, como se eu é que fosse responsável por eles. Quase perdi meu filho, meu nenê nasceu antecipado, estava em sofrimento fetal e eu com a pressão altíssima. Em todo o tempo que vivi com esse homem, nunca foi capaz de ir para o tanque lavar uma peça de roupa, tanto é que, quando meu filho caçula nasceu (1988), cheguei em casa, amarrei uma manta de lã na barriga e fui pro tanque lavar roupa, não respeitou minha dieta, nem meu resguardo, mesmo sendo cesárea, não me poupou de nada: um perfeito animal.

Nunca foi capaz de fazer uma sopa ou canja, quando saia do hospital ou depois de exames mais agressivos ou mesmo depois dos partos. Era minha obrigação fazer a comida, cuidar da casa, da roupa e da cama.

Nunca tivemos momento família, vivíamos em função daquilo que o homem queria: o futebol.
Tinha até time e eu, é quem era obrigada a lavar os uniformes, porque sempre fui muito enjoada com a lavagem de roupas, aquilo fedia mais que fossa, precisava de várias lavagens e esterilizações. Como usava roupa de outros times, também, pra quem jogava, vivia cheio de assaduras e eu apavorada que me passasse.

Quis me divorciar, porque já andava de novo atrás de (v)sadias, vinha com a desculpa que eram só amiguinhas, que muito me amava.  Falei bem sério que a partir do nascimento desse filho, se não me respeitasse, eu não o queria mais. Que tinha que procurar emprego, pra ajudar nas despesas da casa, com tudo nas minhas costas, não dava mais. Como havia se formado, falei para trabalhar como contador, dizia que não ia ser mais empregado de ninguém, falei para abrir um escritório de contabilidade, começou, mas logo desistiu, dizendo que dava muito trabalho.
Aí, veio com a conversa que iria abrir uma imobiliária na casa, junto com o amigo.
Abriu, mas, trabalhar que é bom, não queria, colocaram um empregado, também não deu certo.
Ele continuou "sozinho", quer dizer, eu e as crianças ficávamos lá e ele ia jogar futebol na praia, pescar, menos trabalhar. Meus filhos mais velhos, quando viram como ele era, caíram fora, só ficou o quarto filho, que se tornou sua mão direita.

Eu só pensava numa coisa, porque Deus me poupou?
Pra sustentar um vagabundo?
Eu tinha tanto a agradecer a Deus, por tudo que passei e estar de pé, não ia ser mantendo um vagabundo, a forma de agradecer.

Fui trabalhar em uma entidade, onde senhorinhas maravilhosas pintavam, tricotavam e bordavam para fazer bingos, cuja arrecadação era revertida em mantimentos, para ajudar as famílias que precisavam. Como tinha formação em Serviço Social, sugeriram que eu ficasse com as visitas domiciliares, não deu certo, mantinha um vagabundo na minha casa, como poderia orientar e encaminhar, o pai de família que estivesse desempregado? Com que cara, eu negaria auxílio a uma mãe desesperada, porque mantinha um vagabundo dentro de casa? Como orientar uma mulher, mãe, que estivesse sendo abusada ou violentada? Como orientar a família, se eu permiti que uma pessoa se apossasse de minha vida, pra me deixar na sarjeta? Comecei a me questionar muito e desisti.

Aí, conheci a Pastoral da Criança, a abordagem era diferente, conheci a Igreja, de fato, aquela que Cristo pregou, não se dava "cesta", a gente trabalhava para transformar aquela realidade, levando a Palavra como ensinamento. Assim, também, recuperei meu filho, na época com 2 anos, que pegou uma virose que o estava definhando, que depois de muita procura, consegui um especialista, que diagnosticou a doença.

Agradecia a Deus o tempo todo, pela vida que me devolveu e pela dos filhos que recuperou, fui me afastando da imobiliária para ver se o danado tomava jeito. Eu sempre fui a provedora da minha casa, alimentação, convênio de todos, o vestuário, mais as despesas da casa.  Comecei a exigir que a imobiliária se responsabilizasse pela conta de luz, água e imposto.
Nisso ele trouxe até a mulher de um amigo, para me convencer: "Se eu ganhasse o que você ganha, eu me responsabilizaria por todas as despesas da casa."
Em 1º lugar essa "senhora" sempre foi sustentada pelo esposo;
2) não era ela que ganhava o meu salário;
3) nunca sustentou um vagabundo, para saber o que estava acontecendo em minha casa;
4) Não devia nada pra ela, pra dar palpite na minha vida, defendendo um pilantra com amante.

Como meus 3 filhos mais velhos trabalhavam fora, colaboravam em casa e eu não via pra onde ia, o dinheiro que entrava, fiz acordo com um construtor, para comprar uma casa financiada, assim mudaríamos para a casa e deixaríamos a que estávamos, só para o comércio.

Mas, o vagabundo achou uma solução melhor, se juntou a uma v"sadia" casada, pra fazer sociedade e pedindo aos meus filhos que o ajudassem a montar e assessorar uma "administradora". Não prestou, na hora falei, se quiser pode ir, escolhe com qual casa quer ficar, não prestou, se acovardou. De tudo que ganhou na imobiliária, nunca vi um tostão. Vendi a outra casa, porque o filho não podia terminar a faculdade, se não pagasse. Não sei o que fez com o dinheiro, porque quando lhe perguntei da OAB, me disse que, não podia fazer o exame, porque devia na faculdade. Filhinho de peixe, peixinho é, um grande mentiroso. Que hoje propaga aos 4 ventos que o pai ganhava muito dinheiro na praia, se o pai ganhava tanto dinheiro, porque a mulher dele, na época, exigiu que ele saísse da imobiliária e fosse trabalhar como estagiário, em um escritório de advocacia? Atitudes incoerentes, não é, não?

Quando vendi a casa, na hora falei, nós vamos comprar um terreno, vamos morar na roça.
Foi a minha sorte, porque já estava perdendo a minha casa, estava no Jurídico da Prefeitura por não pagar os impostos e eu não sabia, não pagava telefone, luz e água e nem os proprietários dos imóveis, pra uma pessoa que ganhava muito dinheiro, que se apresentava aqui, como ex diretor de Hospital na praia, enquanto não passava de um pé rapado, aplicador de golpes!!!

Em 26/04/98
Mais uma briga. Só nos relacionamos com brigas. Fui falar com ele antes de sairmos para ir à casa da mãe: " não gostaria de dormir lá, que iria, para voltar no mesmo dia ". Que gostaria que ele respeitasse a minha vontade. Assim, como ele não gosta de ir à casa de meu pai, eu também não gosto de ir à casa de sua mãe e de sua irmã.

Foi o bastante: ele começou a berrar no quintal, que não iria mais à casa da mãe e não iria à casa da irmã, que se elas telefonassem ele iria dizer que era para deixá-lo sozinho. 

Fica difícil pra mim,  esta situação, tenho que fazer sempre o que ele quer e, da forma como quer, porque do contrário, já começa a agressão. Falei que desse jeito, seria melhor que fosse sozinho à casa da família dele e, eu iria na casa de meu pai. Cada qual faria sua vida. Como ele começou a berrar no quintal, fui para a frente, aí ele veio dizendo que nós iríamos a São Paulo na casa de meu pai, como continuei sentada, ele começou a dizer que faria melhor, pararia de tomar remédios, que iria voltar a fumar.

Como sempre, eu sou a que faz a encrenca.

Não consigo ficar mais calada, ele só sabe criticar meus filhos e a mim, os outros podem cagar na boca dele que engole com um sorriso.

O que o meu filho fez para ele? Não obedeceu, diz que eu tenho que dar um jeito, o AAA tem que sair de casa. Meu Deus meu filho está só, não consegue enxergar a situação e eu não posso ajudá-lo, mandou que ele tirasse todas as coisas da casa, que desocupe o espaço. Tá certo, eu compreendo que não posso acobertá-lo sempre, mas eu sou sua mãe e não estou nem perto para ouvi-lo. Repetiu o que me fez fazer com o Ju.

Senhor ajuda o AAA a se encontrar

Proteja-o, Senhor, de qualquer perigo e afaste o mal de perto do meu filho.

Eu vos peço Senhor, abençoa o meu filho AAA. Abençoa Senhor.

Ontem, o que o Ju falou calou fundo, principalmente quando disse que o xxx nunca teve paciência para ouvi-los.

E é uma verdade com todos os meus filhos e, comigo ele é extremamente crítico e desinteressado, já com a família dele, ele tem paciência, ouve e incentiva, parece mais o pai do AAA do que dos próprios filhos. Não ousa criticar, nada do que os outros fazem, mas os filhos é na base da porrada, do safanão, da ignorância e estupidez, magoa muito, judia demais da gente, desde o começo foi assim.

06/10/98

Ontem dei mais uma forçada, ele precisa falar, eu preciso saber o que está acontecendo.
Apareceu com umas pústulas brancas no seu membro, parecia uma couve flor, fiquei apavorada, fomos num médico amigo, na hora começou a gaguejar e o médico me perguntou se eu estava também com aquilo. Deus me livre, me cuido muito, já andou me passando algumas coisas, mas aquilo era impressionante.

As coisas não vêm bem já há algum tempo. Sei que está de caso, com uma v"sadia", não quero mais viver com ele, pedi o divórcio, para que tenha a vida que quiser levar, mas não aceita, quando me viu irredutível, me apertou o pescoço, me sufocando até eu perder o sentido e dizendo, que eu nunca iria me livrar dele. Aquele olhar esbugalhado, parecendo um demônio, me aterrorizou. Tive de arredar pé, senão morria ali, em suas mãos.  

Aí ele despejou:

Que eu já não fazia carinho há muito tempo, que eu estou com a conversa de separação já há 10 anos e que aliás, desde Santo André, eu não o acaricio.

Meu Deus - Santo André - já são pra lá de 17 anos e ele só vem falar agora? Será que não lembra das coisas que fez? Se eu não correspondia ao que ele queria, porque insistiu em casar? Porque ia embora e voltava, tantas vezes? Porque ficava? Qual a intenção dele? É a de esperar chegar ao extremo, para separar? Ou, são apenas desculpas, para as escapadas que dá?

Eu estou morando e dormindo com um estranho, que a qualquer momento pode me apunhalar pelas costas, que é o que sempre me ameaça.

Ele não é transparente, ele se entrega à sua vida e, está esperando aparecer alguma menina, para me dar um chute, ou está à espreita da minha morte e eu, trouxa, estou entrando na dele.

Minha maior mágoa foi o que ele me disse quando teve o infarto.

"A culpada é você".

20/10/1998

Cada dia que passa, vai ficando pior o nosso relacionamento.

Eu o agrido, porque ele me ignora e aí ele fala algumas coisas.

- "Que eu não deixei que ele cursasse Direito!!!"
Puxa, eu dei a ideia de colocar a opção de ciências contábeis, pra ver se entrava, porque era o curso com o menor nº de inscritos e com muitas vagas. O homem tentava entrar, há tanto tempo e nada, eu só pagando cursinho.

- " Que ele vai e, se eu quiser, eu o acompanho." (sociedade com a amante v"sadia");

- Eu não concordo e não aceito essa fusão maluca: onde já se viu dividir a imobiliária com outra pessoa por causa da administradora. Quantas vezes eu conversei com ele para pegar a administração de prédios - ele sempre falou que dava trabalho, que não valia a pena. Agora, quando lhe falei, se é para fazer sociedade por causa da administração, é melhor fazer um curso e, você mesmo administra ou paga um dos meninos para administrar. Na imobiliária, não paga os meninos, agora quer dividir a comissão das vendas com a v"sadia"? Me poupe dessa...

Ele me respondeu: "Agora você dá essa ideia !!!"

Pasmei....

Eu fico toda confusa, ele sempre disse que não queria trabalho, nunca falou que não sabia como administrar, afinal de contas, se formou em Ciências Contábeis, deveria saber.

Falou que vai trabalhar fora e trabalhar até morrer, para tapar a boca de todo mundo. 

Já não dá para aguentar essa ladainha toda.

Conversei com as crianças, decidimos que se ele quiser ir trabalhar fora, irá, mas nada vai sair desta casa.

Propus dar uma mudança geral e, como a GGg quer trabalhar, vou aproveitá-la.
da comissão: 30% para quem vender;
                     20% para poupança;
                     50% para os gastos da imobiliária e casa.

Vamos dar uma guinada.

Só, que não foi embora, continuou com a amante e a imobiliária faliu.

As coisas já estavam andando pra trás, tentou comprar um carro em 60 prestações e não foi capaz de pagar, queria que eu pagasse... "Eu não pago, se quiser venda enquanto pode, senão o banco vai vir buscar."

Como estávamos com as duas casas, a que morávamos, comprada com o meu FGTS e a outra, que eu e meus filhos estávamos pagando, falei que ele escolhesse a casa que queria e cada qual fosse para o seu lado, também não aceitou. 

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