Com amor, todo sonho é possível

Sou responsável...


Sou responsável por todas as escolhas que fiz,
eu respondo por mim...

Assim sou eu...


Quantas cicatrizes carregamos,
sem que nos afetem no dia a dia,
outras,
 vão nos moldando e
direcionando para
nos confrontar,
com as provas que
haveremos de passar.

Já fui ternura,
mansa e
muito educada,
nada  falava do que vivia,
sempre franca e,
muito consciente,
arcava com tudo
que escolhia.

Quando meu 1º filho nasceu e adoeceu,
optei por ficar em casa.
Na gravidez de meu 3º filho,
meu companheiro perdeu o emprego,
era gerente de RH,
em um grande banco,
que foi encampado.
Tempos difíceis,
decidi procurar emprego,
mas grávida,
ninguém me aceitava.
Fomos vender enciclopédias
em locais afastados,
onde a pobreza predominava...
engraçado,
pobre gastava mais com livros,
do que as pessoas abastadas.

Depois de nascer meu bebê,
compramos uma casa que muito queria,
vieram seus pais, a irmã e sobrinhos,
todos desempregados e, sem ter onde morar.
Decidi voltar ao antigo empregador,
para ganhar 1/10 do salário
que pretendia, 
porque nas empresas em que era aprovada,
ninguém aceitava mulher com filhos.

Tempos difíceis,
meu companheiro e seu pai,
cada vez mais se entregavam à bebida.
Nunca gostei de discutir,
embora tudo estivesse errado,
na noite de natal,
meu companheiro levou a mim e
a meus filhos,
para a casa de meu pai:
-"Toma que a filha é tua."
Despejou o pacote e retornou para casa.
Meus filhos passaram fome,
porque meu pai negou alimento aos netos.
Já trabalhando,
corri para alugar uma casa,
com proposta de compra.

Reatamos,
mas,
da bebida não largou.
Assim,
numa boa,
pedi que saísse
da minha casa e
após muitas idas e vindas,
ele, finalmente,
me deixou:
-"Já que não me quer como marido,
não serei pai dos "teus" filhos."
Pagou pensão por uns meses,
depois sumiu.

Muito tola,
me fiei na conversa de um golpista,
engravidei,
não assumiu o filho e
vivia me agarrando,
na empresa,
para que eu perdesse meu emprego,
cometi o 1º grande erro,
em 10/77, 
contra meus princípios...
Logo em seguida,
recebi  um telefonema do vizinho,
dizendo que havia tirado o meu filho,
com 3 anos,
debaixo de uma perua,
na frente de casa,
avenida movimentada,
que eu fosse logo para casa.
Transtornada,
sem saber se meu menino estava vivo ou morto,
saí e, "ele" veio atrás,
ia como louca pelas ruas,
dizendo que era o castigo de Deus,
pelo pecado cometido,
que não o queria mais em minha vida,
mas insistiu.

Até que dei um basta e
exigi que saísse da empresa.
depois de quase um ano sumido,
apareceu,
não queria que ficasse,
mas pegou uma faca e dizia que se mataria,
se não o deixasse ficar,
isso na frente de meu filho mais velho.
Assustada, cedi.
Não demorou muito
para que a empregada  me contasse,
que logo depois que eu saia,
para trabalhar,
ele saia para namorar as meninas.
Mandei-o embora,
porque trabalhar não queria,
ficando muito irado,
porque ela o dedou.

Logo em seguida,
meu caçulinha ficou entre a vida e a morte,
no hospital, por 7 dias, com broncopneumonia.

O pai havia sumido de novo,
apareceu depois de algum tempo,
alegando que havia sido "forçado" a nos abandonar.
Cometi o 2º grande erro,
desta vez mais grave,
porque para isso,
me sujei.

Sou responsável por todas as escolhas que fiz,
eu respondo por mim...

Em nenhum momento de minha vida,
tive ajuda de pai, de sogra ou outra pessoa,
para criar meus filhos,
tive sim,
quando meu pai precisou de meus cuidados,
ele andou me passando alguma coisa,
em razão de não ter me dado,
a parte do espólio de minha mãe.
Precisei arcar com a responsabilidade dos agregados e
ser cobrada por não ficar em casa,
cuidando dos meus meninos.
Errei ao falar que não cuidaria do meu neto,
para que minha nora pudesse trabalhar.
Hoje sou obrigada a ouvir,
-"Cada qual é responsável por suas escolhas." 
 
Por ser responsável por todas as escolhas que fiz,
respondo por mim e, assumo as consequências.
Não admito que ninguém,
muito menos filhos,
queiram aplicar nos meus netos,
como lição,
as consequências da minha escolha.

Quero aqui registrar e deixar bem claro,
pelo amor que tenho aos meus netos,
que não quero e nem admito que a Justiça
ou qualquer pessoa,
cobre dos meus filhos a responsabilidade
por meus cuidados ou sustento,
nada quero dos meus filhos e
nunca os explorei,
como espalharam na internet,
não aceito que privem meus netos de nada,
nem que os responsabilizem,
pelos serviços que não posso fazer.
Como,
também,
não admito que me visitem,
por obrigação,
ou por medo de processo,
se por mim não têm amor,
outra coisa não espero dos meus filhos.
Se têm medo de mim,
consultem suas consciências,
para saber se há razão para isso!
Ouvir e enfrentar verdades,
para mim,
doe menos,
 do que conviver com mentiras e
pessoas falsas.

Como já me enterraram e
dividiram o espólio entre eles,
havia decidido vender a chácara,
uma vez que,
preciso sobreviver,
pagar as dívidas para limpar meu nome,
me tratar e
como diz meu filho:
-"chácara é para quem tem dinheiro." 
Só que não consigo comprador!!!.

Se estou nesta situação de penúria,
é porque a "Lei Maria da Penha" não funciona!
O infeliz arrumava amantes,
não aceitava o divórcio,
queria se livrar de mim,
me torturava, ameaçava me matar,
me estuprou,
para que no desespero,
me suicidasse,
assim,
ficaria com a chácara (construida
com o meu FGTS e o espólio de meu pai) e
com a minha aposentadoria,
que com minha morte quitaria as dívidas.

A mulher denuncia agressões,
sujeita a ser morta por vingança,
já que era ameaçada,
constantemente:
"Te mato, sumo com o corpo, que ninguém vai achar teu rastro." e,
"Vou quebrar a tua cara, para fazer valer a Maria da Penha.".
O agressor mais esperto,
some com BOs e Laudo Pericial do IML,
reverte o processo,
acusando a mulher de "louca", "em delírios" e "incapaz",
ela apavorada,
com medo de ser morta,
publica o acontecido,
mesmo assim,
ninguém nada faz,
e o indivíduo para completar,
é contemplado,
 sendo beneficiado,
 no divórcio,
sobrando para ela as dívidas.
Resta para a vítima,
como ouviu da advogada contratada:
-"Resigne-se ao seu infortúnio."

Todos aconselham a sair da chácara,
mas como posso sair?
Se não posso alugar nenhum imóvel,
pois meu nome está sujo...
Se não pude arcar
com as dívidas contraídas para
pagar as falências do golpista,
despesa do divórcio,
despesas da chácara,
dos estragos que fizeram
quando me obstruíram o poço,
pelos gastos com 1 ano sem água.
Contas bancárias e da Receita Federal
que ele se omitia de pagar e alegava
-"Dívidas não se pagam, deixa-se caducar."
Mas,
essas dívidas eu precisei honrar,
por conta do CPF.
Depois,
um advogado que consultei,
me orientou a parar de pagar tudo,
para poder sobreviver.

Agora,
como me ameaçaram,
serei condenada por calúnia e difamação.

Por que tanto preconceito contra a mulher?
 
Por que é dado, só ao homem, o benefício da impunidade?

Por que o homem é privilegiado em nosso país?

Como pode a Maria da Penha,
paraplégica,
que esperou por quase 20 anos,
para que houvesse Justiça e
terem criado a Lei Maria da Penha,
por sua luta em favor das mulheres vítimas da violência doméstica,
que já comemorou 10 anos,
ver que todo seu esforço deu em nada?

Cadê a efetiva aplicação da Lei?

Que farei eu, com 66 anos?

Vou para debaixo da ponte?

Sou responsável por todas as escolhas que fiz!

Eu respondo por mim!

Podem me calar!

Podem me prender!

Podem me matar!

Nada mais espero da vida!

Senhor,
humildemente te peço,
perdoa meus erros,
 me protege do mal,
que insiste em me derrubar!

Afasta de mim,
Senhor,
todo "malfeitor"
travestido de cordeiro;
desfaz os nós que me ligam
ao perverso;
revela os planos do inimigo,
que trapaceia;
torna transparentes as
ações dos golpistas;
me imuniza contra a falsidade
que me rodeia!

Agradeço,
Senhor meu Deus,
de Infinita Misericórdia,
por me revelar,
mais uma pecinha do quebra cabeça,
que consegui encaixar!

Se conseguirdes passar,
 com bravura,
és digno de usufruir,
da liberdade
conquistada,
da felicidade e
da paz,
que só Ele pode nos dar!
 Maria Teresa
Abraços carinhosos

6 comentários:

  1. Olá Maria Teresa!!!!
    Que luta amiga, que texto!!! É difícil de entender mesmo porque a lei muitas vezes não funciona. Enquanto isso poessoas sofrem, deixam de viver como deveriam , deixam de serem felizes, ô meu Deus, que difícil, mas não impossível, nunca deixe de lutar, de equilibrar-se, é preciso força.
    Desejo a você e sua família um ano de glórias, de realizações, perseverança, saúde
    e muita paz.
    Obrigada por compartilhar com a gente sua luta, sua história,obrigada amiga, por tudo.
    Feliz 2016!
    Bjus
    Estael

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    1. Amém!
      Obrigada Estael, agradeço pela compreensão, sei que não deveria e entendo que é constrangedor para as pessoas esse assunto, mas só tenho a Deus e este espaço para colocar o que está me sufocando. Principalmente, por ter que ser educada e mansa, com pessoas falsas e cínicas, se não fizer isso, serei totalmente corroída pela maldade que destilam.
      Coloco, também, para me proteger, pois estão fazendo de tudo para que eu me desestabilize, portanto, se eu aparecer morta, todos sabem que luto pela minha vida e jamais vou me matar "por estar louca de amor" por alguém. Prezo muito a minha vida e agradeço a Jesus Cristo, todos os dias, por sua proteção.
      Obrigada, seja muito abençoada neste Ano Novo.
      Feliz Ano Novo para você e os seus
      Abraços carinhosos
      Maria Teresa

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  2. Caramba, fiquei até atordoada quando terminei de ler o seu relato. Desejo que o Ano Novo traga mais felicidade e paz, amiga Teresa.
    Beijinhos para uma senhora de muita coragem.
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    1. Obrigada e perdoe amiga Ruthia!
      Seu espaço é tão leve e tão rico.
      Que o Ano Novo traga, para todos nós, muita esperança e saúde para concretizar nossos sonhos!
      Abraços carinhosos
      Maria Teresa

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  3. Olá, minha doce amiga!

    Já tinha lido também esse texto e acho que há gente mto ruim. Já conheço parte da sua história, que achei não ser possível acontecer no século XX e XXI, mas aconteceu.

    LUTE! DENUNCIE! NÃO SE VERGUE NEM UM TIQUINHO. Bandido, cafajeste precisa de ser castigado e ir para a cadeia. DEUS TUDO VÊ.

    Beijos, querida!

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    1. Minha linda e doce amiga, CÉU, obrigada por me encorajar!
      Sim, ainda acontecem muitas coisas além do que possamos imaginar!
      Sim, as mulheres ainda são maltratadas, torturadas, violentadas e pior que isso, fazem isso com a ajuda e a conivência dos filhos.
      Estou nesta luta e conscientização das mulheres para denunciarem os mal tratos e as violências físicas, psíquicas, sociais e financeiras cometidos contra elas, para evitar mais mortes.
      A maioria, é morta calada!
      Obrigada, abraços carinhosos
      Maria Teresa

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