Com amor, todo sonho é possível

Empáticos e Narcisistas

Conheçam e participem do Grupo de Apoio a Mulher, uma referência para quem está em situação de risco, precisamos nos mobilizar, para evitar que ocorram mais agressões contra a Mulher!
Participe! Lute pelo seu direito de viver! 

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Grupo de Apoio a Mulher
Temos que nos unir e impor respeito à nós como mulheres e acabar com o feminicídeo em nosso país!!
Vamos nos mobilizar!!!
Vamos impedir que mais mulheres morram!
Quem desejar, pode participar do grupo no WhatsApp do GRAM
e só deixar seu contato que iremos conversar!
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Texto publicado no dia 06/04/2016 - às 23 horas,
na página "GRUPO DE APOIO À MULHER"

EMPÁTICOS E NARCISISTAS
UM CICLO DE ABUSO SEM FIM
"Abusadores em geral têm características de narcisismo perverso, enquanto seus alvos, na contramão, são pessoas fortes, mas que trazem certa fragilidade e carência no que diz respeito à aprovação do outro. Por serem fortes, não dependem desta aprovação, mas a desejam muito.
Talvez seja exatamente por ter esse desejo de aprovação que esse alvo têm grande necessidade de dar, auxiliar, servir, pois dessa forma, sente-se como quem dá ao outro, o que deseja receber. Comporta-se de modo servil por acreditar que sua atitude vai servir como “exemplo” para o outro ou que, sendo “boa/bom” receberá o mesmo em troca.
Assim, o alvo típico de abusadores parece ser equipado com uma espécie de resistência ao desamor; uma força diante da negação de afeto. Essa força/fragilidade é o que acaba por levar pessoas fortes, mas servis e tolerantes ao desamor, a relações com perversos narcisistas.
Nesse sentido, diz André Martins:
“ ...fragilidade que o faz colocar-se em relação com alguém que não lida bem com o receber, pois considera que a mãe, e portanto, o outro, o ambiente e o mundo, lhe deve algo, numa dívida sem fundo e sem fim. Um deseja dar amor ao ponto de buscar aquele que demasiadamente não o teve, enquanto que este cobra um amor que não existe, permanecendo insatisfeito. Ao invés de reconhecer o amor do outro, sente necessidade em desmerecê-lo. Quanto mais um se dedica ao outro, mais o outro despreza esta devoção. E trata de manter a relação manipulando-a através do assédio, aceito pelo outro na intenção de este findar, de superá-lo, de vencer as dificuldades da relação e se fazer amar. “
Aqui estamos diante de uma relação entre alguém incapaz de remorso, compaixão ou empatia, cuja culpa desaparece no momento em que se alimenta ao depreciar o alvo e alguém demasiadamente empático, tolerante, preocupado, doador que traz no inconsciente uma culpa e senso de obrigação para com o outro que o leva superar o desamor vindo de seu abusador e a sentir-se responsável pelo seu bem-estar e bom andamento da relação.
Na busca por “ajudar” o outro e “salvar” a relação, seu limite do tolerável aumenta, passando a “esquecer” as agressões ou encontrando uma equação que as torne aceitáveis. Do outro lado, o parceiro perverso faz o movimento contrário, tratando de forma aumentada, exagerada e distorcida qualquer agressão ou reação vinda da ponta empática da relação.
Nessa dinâmica, tudo que parte do abusador é aceitável, tem explicação ou é culpa do outro, ao ponto que tudo o que vem do alvo é terrível, agressão inaceitável, transformando pequenas coisas em faltas enormes, que jamais poderão ser esquecidas e que poderão ser usadas para futuras agressões.
É realmente uma dinâmica extenuante para o alvo, mas da qual parece se recuperar rapidamente a cada promessa de melhora do outro. Talvez se recomponha rapidamente das agressões e acusações constantes exatamente por saber que a maior parte, se não todas, são acusações irreais, criadas para atacar, diminuir, culpabilizar e tirar o foco de seus comportamentos abusivos e portanto, acabam por não serem levadas a sério pelo alvo, ainda que machuquem.
Mais uma vez, André Martins descreve isso de forma sucinta, mas brilhante:
“É justamente o fato de as acusações feitas não corresponderem à realidade que faz com que a vítima, embora se abale fortemente com elas (e aí está sua fraqueza, percebida inconscientemente e não perdoada pelo agressor), tente desconsiderá-las, pois, pensa, se não correspondem à realidade, não a deveriam estar abalando, e o agressor pode um dia vir a reconhecer que não são verdadeiras, mudar sua atitude, e tudo estará resolvido. Afinal, excetuadas as acusações, o agressor é sedutor, e o convívio entre eles é bom. Para o agressor, por sua vez, esta tolerância da vítima às suas palavras, tão cortantes e injustas, aparece por um lado como revelando a força da vítima, força que é um dos motivos de sua raiva, e por outro como revelando sua fraqueza, inaceitável aos seus olhos, no sentido de uma generosidade irritantemente boba de um fraco que não deveria aceitar ser assim ofendido – fraqueza que, para o agressor, é merecedora de menosprezo, desprezo e desdém, justificando assim para si, a posteriori, a agressão.”
O que é possível concluir dessa leitura é que perversos narcisistas são pessoas danificadas, envergonhadas com seu verdadeiro eu e, por essa razão, incapazes de receber aquilo que entendem que nunca receberam de seus objetos primários (no caso do homem perverso, quase sempre essa falta/raiva está na mãe) e aquilo que não sabem dar: amor. Ao deparar-se com um alvo capaz de dar e receber amor, o narcisista sente-se diminuído, como se a convivência com o outro colocasse sob lentes de aumento o seu vazio, sua inadequação.
Assim, à primeira vista, sentem-se atraídos por aquilo que o alvo tem e neles falta, para logo em seguida sentirem-se ameaçados e diminuídos pelas mesmas características que os atraiu, substituindo aquela admiração inicial por sentimentos de inveja, inferioridade e raiva. Esses sentimentos passam a ser o combustível para atacar o outro, no desejo de destruir no alvo tudo aquilo que represente o que não tem, desejaria inconscientemente ter, mas ao constatar que não tem, o torna uma ameaça.
Por outro lado, o alvo sente-se forte, lúcido, poderoso, onipotente, crente que seu amor, paciência e tolerância pode mudar e curar aquele parceiro cruel e vazio, o que, já sabemos, é o pior dos enganos, pois é exatamente essa força e compaixão, o que lhes causa ira.
Daí a explicação para o fato que insistem e correm atrás quando o alvo se fortalece, retoma a própria vida e dá um basta na situação. Ao perceber seu alvo forte, percebe que sobre ele não tem mais controle, passa a respeitá-lo, pondo-se em posição de pedinte. Ocorre que, ao permitir a reaproximação, acreditando novamente no perverso, o alvo se trai, pois ao “perdoar”, decepciona o perverso, que percebe o perdão como fragilidade que ele abomina, ao mesmo tempo que se depara com a capacidade de amar do outro que ele não tem e que, portanto, evidencia sua falha, seu vazio emocional.
A partir daí, sabemos que se inicia um ciclo vicioso e sem fim, que só cessará com a ruptura total (seja pelo descarte ou pelo basta do alvo) e o contato zero, sem o qual, não há ruptura real.
Lucy Rocha
Personal Coach
P.S. Evito usar a palavra vítima para denominar alvos de abusadores, não porque não sejam vítimas, mas para reforçar a ideia de que devem buscar a consciência do que em si deve ser trabalhado, bem como a ideia de que podem tomar o controle de suas vidas e deixar de ocupar a posição de vítima, que em nada lhes agrega.
Os trechos citados de André Martins, são extraídos de seu artigo acadêmico a respeito da perversão narcísica, chamado "Uma violência silenciosa". Vale a leitura!"

Abraços carinhosos

2 comentários:

  1. Bom dia amiga Maria Teresa, que pena que há tantos "doentes" por aí maltratando as mulheres que, sem terem muito apoio, com medo nem denunciam, tomara que leiam aqui e se encorajem a procurar ajuda!
    Abraços apertados!

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    Respostas
    1. A proposta é essa, Ivone!
      A mulher precisa saber, que por piores que sejam as circunstâncias que nos prendem, sempre há uma saída, desde que ela queira assumir as rédeas de sua vida.
      Ela precisa buscar um Grupo de Apoio, com vários profissionais, que a possam orientar a fazer tudo de forma correta, para que não corra o risco de ser morta.
      Muitas mulheres estão denunciando e, logo em seguida, são mortas.
      Como não recebi proteção do Estado e estava jurada de morte, perdi totalmente a vergonha e publiquei na internet, foi o que fez com que recuasse.
      Entreguei para a Justiça, o exame pericial e as correspondências trocadas e, nem assim me deram medidas protetivas. Razão pela qual, aconselho as mulheres que estão sendo agredidas, em seu ambiente doméstico a procurar um Grupo de Apoio à Mulher, para que a orientem no proceder.
      Quando uma mulher é agredida, o agressor denigre a imagem da mulher, culpando-a, só mesmo num País, onde não há "Ordem" e "Justiça", pode acontecer uma situação como essa.
      Gratidão, minha querida amiga, Ivone!
      Abraços carinhosos
      Maria Teresa

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